PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO:
ISABELA (50 anos) - VITÓRIA (25 anos) - VICENTE (18 anos) - JULINHO (10 anos) - ISADORA (40 anos) - ANTÓNIO (50 anos) - DELEGADO - POLICIAL - FERNANDO (48 anos) - MATEUS (23 anos) - LUIZ (25 anos) - VERÔNICA (18 anos)
[CENA 01]
CENÁRIO: DELEGACIA / À NOITE
ISABELA - Delegado eu preciso que você me fale a verdade, era o meu marido naquele carro?
DELEGADO - Olha Dn. Isabela eu preciso que a senhora se acalme, ainda não temos notícias sobre o acidente que ocorreu na estrada agora a tarde. Preciso que a senhora espere e assim que a gente tiver informações...
(POLICIAL ENTRA GRITANDO)
POLICIAL - Delegado! Não encontramos corpo...
DELEGADO - Como assim?
POLICIAL - A pericia ainda está investigando o local, mas pelo jeito o corpo virou pó!
ISABELA - Quer dizer que não sabe se era o meu marido? (DESESPERADA)
POLICIAL - A gente não tem como confirmar nada, mas...
DELEGADO - Mas o que policial?!
ISABELA - Era o carro do meu marido?! Fala policial...
POLICIAL - Pelas características que você informou do carro, eram sim... mas o corpo não foi encontrado no local. Pelo jeito foi carbonizado total.
(ISABELA PASSA MAL, E DELEGADOS A SEGURAM)
[CENA 02]
CENÁRIO: RODOVIÁRIA DA CIDADE NO INTERIOR
ANTÓNIO: (VESTIDO COM UMA CAPA) Preciso da passagem pra hoje ainda!
ATENDENTE: Moço mas nós não temos ônibus para esse destino hoje, somente amanhã cedo...
ANTÓNIO: Me da pra cidade mais próxima daqui, agora!
(ATENDENTE ESTRANHA, MAS PROVIDENCIA A PASSAGEM)
[CENA 03]
CENÁRIO: CASA DA ISABELA
VICENTE - O que será que aconteceu Vitória?
VITÓRIA - Não sei Vicente, vamos esperar nossa mãe chegar... ela já deve tá quase chegando.
(ISABELA CHEGA AOS PRONTOS COM O POLICIAL)
VICENTE - Mamãe! O que aconteceu mamãe?
VITÓRIA - O que aconteceu, porque a senhora tá chorando?
POLICIAL - Crianças é melhor deixar a mãe de vocês descansar, assim que ela tiver melhor ela fala pra vocês tudo, tá bom? Agora eu tô indo, qualquer coisa podem me chamar.
VITÓRIA - Tá bom policial, muito obrigada...
(CRIANÇAS ABRAÇAM A MÃE)
[CENA 04]
CENÁRIO: PAISAGENS SE PASSAM / CASA DA ISABELA / FINAL DA TARDE
(10 ANOS DEPOIS SE PASSAM)
ISABELA - Vitória vem cá minha filha, eu preciso que você vá na rua hoje comprar umas coisas aqui pra casa, sua tia Isadora mandou dinheiro pra gente...
VITÓRIA - Claro mãe, vou aproveitar e ver se tem vagas no mercadinho, ainda esse mês eu arrumo um novo emprego.
ISABELA - Faz bem, faz bem! E o seu irmão sabe dizer se ele ainda tá trabalhando pro seu Frederico?
VITÓRIA - Ah mãe, o Vicente ele é muito indeciso, não sabe que emprego fica, uma hora tá com seu Frederico outra hora sai... não dá pra contar com o dinheiro dele... fora que só que gastar com as meninas... só quer curtir a juventude dele, a senhora sabe!
ISABELA - Deixa ele... é normal pra idade dele, eu e você a gente dá conta!
VITÓRIA - É mãe... mas o problema é que assim ele nunca amadurece, eu quero ver quando eu arrumar um marido, a senhora vai ficar sozinha com ele o Julio...
ISABELA - E quem disse que você vai arrumar qualquer marido? Você vai se casar com um homem rico, e vai nos ajudar... como sempre nos ajudou..
VITÓRIA - (RISADAS) Lá vem a senhora com essa história de novo, a maioria dos meninos dessa cidade é pobre igual a gente, e os que são ricos fazem questão de estudarem fora...
ISABELA - É Vitória, é por isso que o nosso tempo nessa cidade tá acabando, eu só tava esperando você crescer mesmo... e abrir a mente pra casamento...
VITÓRIA - Como assim mãe?
ISABELA - Ah porque você só queria saber de trabalhar, e no pesado ainda... nem se cuidar você se cuida.
VITÓRIA - Alguém precisa colocar comida dentro de casa, né mãe! E a senhora tava cuidando do Julinho, não pode ficar trabalhando fora direto... se bem que depois que o papai morreu você começou a se arrumar melhor... E eu fiz o contrário (RISADAS)
ISABELA - É normal filha, na época do seu pai eu não sabia o que era se arrumar, minha vida toda era em prol dele e de vocês... eu nem sabia quem ra eu, e fora que eu também tentei arrumar um marido rico, né... pra gente sair do perrengue, mas já tô velha demais pra isso... e os homens daqui tudo já é casado, não dá! Agora você ainda é nova... tem muito mais pretende, tá na hora da gente investir em você!
VITÓRIA - Tá bom mãe, chega de papo furado, me passa o dinheiro pra eu ir fazer compras... e agrade a tia Isadora porque ela é que salva a gente toda a vez que estamos no sufoco.
ISABELA - Ou seja, sempre né! (RISADAS)
[CENA 05]
CENÁRIO: CASA DA ISADOR NA CAPITAL SP
(AO LADO DO MARIDO E DOS 2 FILHOS NA MESA DE JANTAR)
FERNANDO - Isadora porque você fez a janta cedo hoje?
ISADORA - Hoje eu tenho um compromisso na Igreja, preciso chegar cedo lá...
MATEUS - Mãe hoje eu não vou pode ir com a senhora tá? Tenho aula extra na faculdade.
ISADORA - Tudo bem meu filho.
FERNANDO - Para de querer tá enfiada todo dia em Igreja mulher... perda de tempo!
LUIS - Vixee.... começou a treta, eu não sei como vocês tão casados até hoje!
(LUIS LEVANTA DA MESA COM PRATO EM MÃOS E VAI EM DIREÇÃO A SALA)
ISADORA - Filho não levanta da mesa, você sabe que eu gosto que comam todos à mesa!
LUIS - Ah não mãe, chega uma hora que cansa...
FERNANDO - Luis obedece sua mãe...(ELE NÃO ESCUTA E SEGUE PRA SALA)
MATEUS - Bom, deixa eu ir lá! Preciso chegar um pouco mais cedo pra pegar umas matérias atrasadas com um colega...
(MATEUS LEVANTA E SE DESPEDE DOS PAIS COM UM BEIJO)
ISADORA - Tchau meu filho, bom estudo pra você!
FERNANDO - Vai com Deus, qualquer coisa só ligar... (MATEUS SAI, E LUIZ NÃO VOLTA DA SALA)
ISADORA - Tá vendo o que você fez?
FERNANDO - Eu fiz? Você que insisti com esse negócio de Igreja...
(ISADORA BALANÇA A CABEÇA EM NEGAÇÃO A ATIUDE DO MARIDO)
[CENA 06]
CENÁRIO: PRACINHA DA CIDADE NO INTERIOR / NOITE
(VICENTE AO LADO DA NAMORADA)
VERÔNICA - Amor quando é que você vai me apresentar pros seus irmãos e sua mãe?
VICENTE - Calma, você é muito apressadinha, a gente nem curtiu ainda o que temos que curtir...
VERÔNCIA - Ah não Vicente, isso é desculpa! Já falei de você pros meus pais, e eles super aprovaram... mesmo você ainda não indo lá...
VICENTE - O problema é que seus pais tem tantos filhos, que eles não se importam que mais uma filha deles tá namorando... no meu caso a minha mãe é muito rígida.
VERÔNICA - Ai nada a ver, meus pais se importam sim, é que eles confiam em mim, sabem que eu não ia ficar com qualquer um... apesar de que você...
VICENTE - Eu o quer?
VERÔNICA - Nada esquece...
VICENTE - Ah não agora você vai ter que falar...
VERÔNICA - Esquece amor... me beija! (BEIJA VICENTE)
VICENTE - Ah não Verônica, você não vem me tapear não... certeza que você quis me chamar de pé rapado né! Só pra sua informação, eu sou funcionário de confiança do Doutor Frederico... a chácara dele é de total confiança minha. Sacou?
VERÔNICA - Sei amor... o problema é que você não tá nem ai pra emprego. Nunca leva a sério, mesmo ele confiando em você. Se você quisesse ele te pagava muito bem!
VICENTE - Eu não nasci pra ser um mero capataz! Olha pra mim... sou forte, bonito, qualquer garota cai nos meus pés fácil fácil, você acha que eu nasci pra ficar mandando em peão?!
VERÔNICA - Já que você não quer isso, porque não estuda então? Faz uma faculdade?
VICENTE - Pra quer? Nessa cidade aqui nem que eu seja formado em medicina eu não cresço, fico ali trabalhando num postinho disfarçado de hospital...
VERÔNICA - Pior que é verdade, também tenho vontade de sair daqui... ir pra uma cidade agora.
VICENTE - Eu não só tenho vontade como eu um dia eu vou...
VERÔNICA - Eu vou?! Que história é essa? Nós vamos meu amor...
VICENTE - É se até lá você se comportar...
VERÔNICA - Vicente... (BATE NELE RINDO)
[CENA 07]
CENÁRIO: CASA DA ISADORA / MESA DE JANTAR
FERNANDO - Mas e aí sua irmã não ligou pra pedir dinheiro mais não?
ISADORA - Ah você sabe que ela precisa de ajuda... então sempre que ela ligar eu vou a ajudar...
FERNANDO - Você não respondeu minha pergunta...
ISADORA - Fernando eu prefiro assim, porque se não depois você vai ficar me questionando por que eu tô dando dinheiro pra ela, e a gente vai brigar de novo...
FERNANDO - Claro que não, eu também não sou esse monstro, só estou perguntando por perguntar mesmo... Nas fotos ela parece que tá bem por lá... sempre bem vestida.
ISADORA - Ah você também reparou isso... mas isso já tem há algum tempo... eu acho que ela percebeu que tava se acabando junto com os problemas e decidiu mudar. Antes do António falecer, a vida dela era dele, parecia uma empregada e não uma esposa. Deus me perdoe! Mas parecia que ele sugava ela de todo jeito, e ela se dizia a mulher mais feliz do mundo.
FERNANDO - Acho que ela se encontrou com a verdadeira felicidade agora, depois que ele morreu começou abrir os olhos.
ISADORA - Eu também acredito nisso, ela se encontrou com ela mesma, e deu uma oportunidade de ser uma mulher de verdade. Antes era doente de amor por esse António, e vivia por ele e pelos filhos, agora não, com os filhos já grandes e sem o António ela se dedica mais pra ela. E faz bem! Não é porque é pobre que não tem que se cuidar...
FERNANDO - Espero que você decida fazer o mesmo, e pare de se dedicar tanto pra igreja.
ISADORA - Ah não começou... tava demorando... retira a mesa pra mim! (ISADORA SAI)
[CENA 08]
CENÁRIO: CASA DA ISABELA / QUARTO DE VITÓRIA
VITÓRIA - Mãe fiquei triste com o que a senhora me falou agora mais cedo...
ISABELA - Que você não se arrumava?
VITÓRIA - Isso, a senhora acha isso mesmo?
ISABELA - Ah minha filha (VAI EM DIREÇÃO A ELA E PENTEA OS CABELOS) Você tem cabelo lindo, mas se penteasse melhor ficaria perfeito. Seu rosto, olha só pra ele (EM FRENTE AO ESPELHO), tá vendo como é lindo... mas na sua idade seria bom você passar um batom, uma base... ia te valorizar mais! Suas roupas, eu sei que a gente não tem dinheiro pra comprar roupas bonitas, mas dá ir no brechó e comprar umas mais bonitinhas... as que você usa parece roupa de velha.
VITÓRIA - (VITÓRIA CHORANDO) Nossa mãe... a senhora piorou...
ISABELA - Minha filha pra você casar bem, com um homem rico, você precisa se arrumar melhor, beleza você tem, só tá escondida! Eu por exemplo, quando tinha seu pai agia igual a você, vivia pra ele, e ele só queria saber da casa limpa, queria que eu ajuda-se nas despesas, e quase nunca olhava pra mim... mas eu besta não entendia que ele não olhava pra mim porque eu era feia. E os trabalhos que ele fazia a noite, depois que ele morreu fui descobrindo, podre por podre.
VITÓRIA - Tá mãe, mas mesmo assim isso não era motivo... e outra essa história que o povo inventou do meu pai depois que ele morreu, nada disso pode de ser verdade, o povo fala muito aqui na cidade, até falavam que ele sumiu, que ele não morreu... são muitas mentiras.
ISABELA - Se é mentira ou não, isso eu não sei... mas que é verdade que eu era um trapo nas mãos dele isso era. Eu era uma iludida, e fascinada por aquele homem, qualquer mulher ficava doida por ele... charmoso igual seu irmão.. eu nem sei como eu consegui conquistar ele, porque eu nem sabia me cuidar direito.
VITÓRIA - Meu pai não olhava pra aparência, ele era responsável...trabalhador, e com certeza ele se apaixonou porque a senhora sempre foi guerreira, trabalhou desde cedo... e mesmo com ele trabalhando muito a senhora ainda fazia suas faxinas pra ajudar na casa...
(VICENTE ENTRA NO QUARTO E ESCUTA A FALA DE VITÓRIA)
VICENTE - Claro, minha mãe ajudava na casa e sobrava mais grana pra ele gastar com as rapariga dele na rua. Aquele nunca me enganou...
VITÓRIA - Até você Vicente acredita nas histórias desse povo...
VICENTE - Não só acredito como também cansei de ver meu pai nos braços de outras por aí...
ISABELA - É o quer? E porque você nunca me contou isso Vicente? (ESPANTO)
FIM DESTE CAPÍTULO
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