PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO:
ISABELA - ANTÓNIO - VICENTE (CRIANÇA) - JUNINHO (CRIANÇA) - VITÓRIA (JOVEM) - ISADORA
[CENA 01]
CENÁRIO: CASA DA ISABELA (INTERIOR DE SP) / FIM DE TARDE
( HÁ 10 ATRÁS - ANTÓNIO CHEGANDO)
ANTÓNIO - Oi querida! Tudo bem? (SALTITANTE DE FELICIDADE)
ISABELA - Senti sua falta, amor! Porque demorou tanto?
ANTÓNIO - Ah estava trabalhando meu bem, você sabe que eu trabalho muito, né?
ISABELA - Até demais! Mas porque essa felicidade toda estampada no rosto, até parece que ganhou na loteria...
ANTÓNIO - Ah quem me dera, você sabe que eu nunca tive sorte nisso...
ISABELA - Verdade! Ah os meninos não chegaram da escola ainda, você pode ir buscar eles hoje por favor, eu sei que seu carro não tá muito bem e você deve tá cansado, mas é que o coitadinho vem de longe a pé.
ANTÓNIO - Tá bom, não custa agradar pelo menos 1 vez né...
ISABELA - É porque eu tenho que preparar a janta também, hoje tenho uma notícia pra compartilhar com vocês.
ANTÓNIO - Notícias? Humm, o que é que você tá aprontando hein mulher?
[CENA 02]
CENÁRIO: CASA DA ISADORA NA CAPITAL
(ISADORA LIGANDO PARA A IRMÃ ISABELA)
ISADORA - Alô?! Oi minha irmã, ah que saudades de vocês!
ISABELA - Já falei pra você voltar pra cá, eu não sei o que tá fazendo ainda aí nessa cidade barulhenta! Já tem casa, marido, filhos, dinheiro de sobra...
ISADORA - Ai minha irmã, mas é justamente por isso que eu ainda estou aqui, né? Preciso continuar mantendo minha filha, e o meu marido tem o emprego dele, não pode largar... e nem vem porque é eu morando por aqui que você recebe ajuda que precisa. Desde que nossos pais morreram você só tem a mim...
ISABELA - Eita também não precisa jogar na cara!
ISADORA - Para Isabela, eu não estou jogando na cara... só tô falando que você vive desempregada ai e é obvio que a culpa não é sua... nessa cidade não tem emprego. E eu como sua irmã vou sempre te ajudar.
ISABELA - Pois é a culpa não é minha mesmo, mas também não precisa me humilhar, sou muito feliz aqui... tenho paz, sossego e um marido que me ama... diferente de você, né? Você sabe do que eu tô falando...
ISADORA - Ah vamos parar com isso Isabela, você como sempre, muito inconveniente... Já te falei que meu marido está arrependido, e é coisa de homem, eles traem às vezes até sem querer!
ISABELA - Hum... sei... (RISADAS)
ISADORA - Nossa, coisa chata você! Te liguei pra saber da gravidez... já contou pro António?
ISABELA - Hoje a noite vou preparar um jantar e contar sobre nosso novo bebê, mas eu tô com muito medo, afinal já tô com a idade avança pra ter filho.
ISADORA - Não se preocupa, você é forte e acabou de fazer quarente, tá ótima de saúde!
ISABELA - Ah tá bom Isadora, não precisa lembrar da minha idade, tá... deixa eu ia fazer minha jantar, tchau! (DESLIGA O CELULAR)
ISADORA - Que grossa! Essa Isadora...
[CENA 03]
CENÁRIO: ESCOLA CIDADE INTEIROR DE SP
(VICENTE CRIANÇA E VITÓRIA JOVEM EM FRENTE DA ESCOLA)
VICENTE - Vitória será que a mamãe esqueceu da gente?
VITÓRIA - Claro que não Vicente, ela falou que se não viesse buscar a gente é porque podia tá ocupada, vamos esperar só mais um pouco, se ela não vier a gente vai sozinho.
VICENTE - Eu tô cansado de vir todo dia a pé... porque nosso pai não vem buscar a gente!
VITÓRIA - Você sabe que ele já explicou...
VICENTE - Ele só vive de trabalho, só sabe fazer isso...
VITÓRIA - Claro que não, ele é super carinhoso com a gente... e se esforça pra trabalhar pelo nosso bem.
VICENTE - Carinhoso só se for com você, porque comigo ele me odeia...
VITÓRIA - Vicente para! Você sabe que meu pai briga com você por causa da sua rebeldia, você não obedece ninguém... eu não sei pra que você puxou essa teimosia toda...
VICENTE - Ele sempre fala que eu sou um capetinha... quanto mais ele fala mas eu sou. Quer dizer que só porque você é a boazinha que ele só pode gostar de você.
VITÓRIA - Claro que não Vicente, nosso pai ama a gente igual... é que você não da paz, só minha mãe mesmo pra aguentar suas traquinagens.
[CENA 04]
CENÁRIO: ANTÓNIO NO CARRO VELHO
(PENSATIVO, ELE DIRIGE O CARRO)
ANTÓNIO - (PENSAMENTO) Eu preciso da um jeito na minha vida, essa não foi a vida que eu escolhi pra mim... vivendo de migalhas, umas criança mal educada, sem escola descente pra ensina-las... meu pai sempre me dizia que eu seria um juiz, um advogado famoso... eu não consegui ser...mas, de uma forma ou de outra a nossa vida ela pode mudar da água pro vinho. Agora a Isabela, como mulher, sem beleza nenhuma, olha o meu porte, um homem forte e bonito que nem eu merecia alguém melhor. Preciso da um jeito de mudar de vida! Ou até sair dessa vida, morrer pra essa vida... e nascer de novo... quem sabe só assim eu começo do zero e faço aquilo que quero, depois eu concerto o que tiver pra concertar... (FALA ALTO) é isso!
(ANTÓNIO ACELERA O CARRO EM DIREÇÃO A UM BARRANCO QUE EXISTE MAIS PRÓXIMO)
[CENA 05]
CENA SECRETA: ACIDENTE DE ANTÓNIO
[CENA 06]
CENÁRIO: VICENTE E VITÓRIA NA ESTRADA
VICENTE - Ah eu tô cansado já... vamos parar aqui...
VITÓRIA - Não Vicente a gente vai chegar tarde se pararmos pra descansar...
VICENTE - Vitória você tá vendo aquela fumaça?
VITÓRIA - Sim! Nossa tá vindo lá da ribanceira que fica ali no final daquela estrada...
VICENTE - Vamo lá ver, parece que queimaram o matagal...
VITÓRIA - Claro que não, a gente segue por aqui, vem... (RUMO A OUTRA ESTRADA)
[CENA 07]
CENÁRIO: CASA DA ISABELA / INÍCIO DA NOITE
ISABELA - Ah meu Deus eles estão demorando muito, já estou preocupada!
(CRIANÇAS BATEM NA PORTA E ENTRAM)
ISABELA - Meninos por que essa demora! Cadê o pai de vocês?
VITÓRIA - Papai? Ele não tá no trabalho?
ISABELA - Ele foi buscar vocês, hoje eu pedi pra ele...
VICENTE - Que milagre!
ISABELA - Mas não esperam como eu combinei pra vocês me esperar...
VICENTE - Espera que cansamos!
VITÓRIA - Verdade mãe, a gente esperou bastante por isso que chegamos agora...
ISABELA - Gente e pra onde é que António foi?
VICENTE - Trabalhando oras, ele só trabalha...
ISABELA - Para de brincadeira menino! (PREOCUPADA)
VITÓRIA - Mamãe a gente viu hoje na estrada algo bem estranho, uma fumaça vinda lá ribanceira que fica naquela outra estrada próximo da nossa escola.
ISABELA - É o quer?!!! (EM CHOQUE) Eu não acredito, o carro do seu pai estava com problema, ele já até tinha me falado, mas disse que ia arrumar depois...
VICENTE - Era uma lata velha...
ISABELA - Cala a boca menino! (GRITA) Aquela fumaça pode ser, pode ser... não, não acredito...
FIM DO CAPÍTULO
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